Os mil e um tapetes

(Coluna sobre a Volta ao Mundo – Expedição Caracol publicada nos jornais Tribuna do Paraná e Paraná Online em 29/10/14 – semana 49).

Turquia - CapadóciaO céu colorido por balões, uma paisagem que parece outro planeta e pessoas morando em cavernas. Se você assistiu à novela Salve Jorge, sabe que é da Capadócia que eu tô falando! O lugar é lindíssimo e sonho de muita gente, principalmente depois da novela – mas claro que a história aqui não tem nada a ver com passeios turísticos e outras coisas tão normais assim!

A doideira já começou no lugar onde fiquei hospedada – foi pelo Couchsurfing, mas não foi na casa de um turco, e sim em uma loja de tapetes que fica dentro de uma caverna! E com direito a gato de estimação e tudo, que dormia junto comigo no meio dos tapetes, uma fofura.

Turquia - CapadóciaOs turcos são famosos por várias coisas, e uma delas é a hospitalidade. Eles fazem questão de te tratar bem, como um membro da família – família essa que no caso era formada pelos donos das lojas vizinhas à minha “casa”. A turcarada tava sempre junta, papeando na frente da loja, tomando chazinho e mexendo com os turistas que passam na rua.

Essa foi, aliás, uma das coisas de que menos gostei quando cheguei à Turquia – você não consegue simplesmente andar pela rua sem que os vendedores falem contigo pra tentar te empurrar algo, me senti até na Índia de novo! Mas estando do outro lado, junto dos turcos, a coisa muda de figura! Era super divertido ficar sentada na frente da loja, falando com todo mundo que passava na rua!

Turquia - CapadóciaFazer parte do Clube do Bolinha turco, mesmo não sendo turca (e muito menos Bolinha, né!) foi uma experiência e tanto! A cada dia um deles cozinhava, e sempre preparava o rango pra geral – e o engraçado é que eles comem em um prato só, todo mundo metendo o garfo ou o pedaço de pão no mesmo prato. Curti a ideia, bem mais prático pra lavar a louça depois! Às vezes eles preparavam o almoço na rua mesmo, tipo piquenique, sentados em frente às lojas, e convidando quem passasse por ali pra comer junto!

E nunca tomei tanto chá na vida. Esses turcos tomam chá como se fosse cerveja! E olha que no Myanmar eu já tinha tomado pra caramba (as pessoas te oferecem chá pra mostrar que você é bem vindo na casa), mas a Turquia ganhou de longe! E os turcos são muçulmanos, então na teoria eles não podem beber álcool. Mas na prática era uma cachaçada toda noite na loja de tapetes!

Turquia - CapadóciaMas a hospitalidade é apenas uma das famas dos turcos – a outra é a galinhagem, eles não podem ver um rabo de saia! E adoram pegar gringas, o que eu ouvi de histórias sobre namoradas brasileiras, belgas, holandesas, russas… Ainda bem que eu era uma Bolinha no grupo, aí ninguém veio de graça pro meu lado! E se alguém se chegasse, eles viravam bicho! Eles foram bem queridos comigo, mas sem chance que eu namoraria um turco, ô povo ciumento e controlador! Bom, eles são muçulmanos, né!

Curti muito essa experiência doida na Turquia. Eles são muçulmanos mas não são tão radicais assim – apesar de machistas, não tive grandes problemas. Vamos ver como vai ser no próximo país muçulmano, onde chego daqui a uns dias: Irã! Cenas dos próximos capítulos!

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Coluna sobre a Volta ao Mundo – Expedição Caracol publicada nos jornais Tribuna do Paraná e Paraná Online em 29/10/14 – semana 49.

Se é muito fácil não tem graça

(Coluna sobre a Volta ao Mundo – Expedição Caracol publicada nos jornais Tribuna do Paraná e Paraná Online em 22/10/14 – semana 48).

Turquia - Istambul (5)Oito meses na Ásia não foram suficientes. Voltei, e agora em terras turcas. A Europa é legal, mas em geral é bem fácil de se virar por lá, já tava sentindo falta dos desafios de culturas mais diferentes da brazuca. E claro que isso não falta aqui na Turquia!

Tô em Istambul, hospedada na casa de um amigo turco que conheci em Montenegro – lembra quando contei sobre o dia em que o trem parou, e quase fui barrada na entrada da Sérvia por causa da palavra Mercosul escrita na capa do passaporte? Esse amigo turco tava viajando comigo no trem, e não teve a mesma sorte – foi barrado porque tinha ido pra Kosovo antes, e a Sérvia não reconhece Kosovo como um país. Loucura, não?

Turquia - Istambul (4)Pois bem, mas o causo é que eu tô na casa dele, mas ele não! Ou melhor, praticamente não, porque ele tá em época de provas e nem para em casa, mal vejo o piá… Tô vendo muito mais o amigo que mora com ele, que não fala quase nada de inglês! Imagina o nível das conversas… Até Google Translator já usamos pra conseguir evoluir um pouco no papo!

E o detalhe da história é que tô praticamente acampando aqui. O ap é legal, faltam apenas algumas coisinhas básicas: não tem geladeira, não tem fogão, não tem água quente e nem internet. Ok, vá lá… Internet eu resolvo indo em um Café. Fogão, simplesmente não cozinhando – se bem que sinto falta de poder fazer o meu rango, né, é bem mais barato! Geladeira, comprando coisas que não estragam tão fácil. Agora a água quente, cara, é o bicho! Ontem a temperatura máxima do dia foi 15 graus, só pra você ter uma ideia do drama!

O dia tava tão gelado, e a água tão fria, que a solução que encontrei foi dar um jeito de ficar com calor antes, pra não sofrer tanto na hora do banho. Viu como tudo tem um lado bom? Graças ao chuveiro gelado voltei a fazer exercícios, mandei ver nos abdomináveis! Mochileira fitness, tá pensando o quê!

Mas olha que beleza, depois consegui dar um upgrade no banho: encontrei uma chaleira elétrica e passei a tomar banho tcheco, de canequinha! Que evolução, hein? E até isso foi um trampo, já que também não tem balde na casa… haha…

DCIM153GOPROE claro que os desafios apenas começam dentro de casa. Sair na rua é uma aventura e tanto! Andar pelas áreas turísticas não é tão complicado, mas a região onde tô hospedada não é turística, e se 0,1% das pessoas por aqui falarem inglês, é muito! Pedir um doce na confeitaria, escolher alguma coisa no cardápio em turco, perguntar quanto custa algo… Tarefas nada fáceis quando ninguém fala a mesma língua que você! Isso que eu queria cortar o cabelo aqui (não cortei desde que comecei a viajar!), mas como é que você explica para o cabeleireiro o que fazer com a tua juba?

DCIM153GOPROE a aventura não termina aí, já que os turcos são bem safadenhos… Principalmente quando você fala que é brasileira, eles se assanham todos! Já cheguei a falar que sou da Moldávia, só pra acabar com a graça deles! E pelo jeito a emoção tá só começando, já que Istambul é bem turística. Imagina só como vai ser viajar pelo resto da Turquia? Queria desafio, nega? Então toma!

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Coluna sobre a Volta ao Mundo – Expedição Caracol publicada nos jornais Tribuna do Paraná e Paraná Online em 22/10/14 – semana 48.

Dicas práticas sobre o trekking no vulcão Rinjani

Indonesia - Lombok - vulcão Rinjani - dia 2 (10)Se você gosta de trekking e de lugares com vistas de tirar o fôlego, o vulcão Rinjani foi feito pra você – um vulcão lindo com um lago azulzinho dentro da cratera! Ele fica em Lombok, na Indonésia (uma ilha perto de Bali), e é um passeio sensacional! Cansativo pacas, mas imperdível!

Essa foi a cidade número 33 da Expedição Caracol – Volta ao Mundo, que vai até nov/14. Pra saber mais sobre como é o trekking, veja esse outro post aqui, tá bem detalhado! Agora vamos falar sobre as dicas práticas pra fazer esse passeio, que são beeem importantes!

 

QUANTO TEMPO LEVA

Dá pra fazer o trekking em 2, 3 ou 4 dias. Dá uma olhada aqui nesse outro post explicando direitinho a diferença entre essas opções, e contando mais sobre o trekking.Indonesia - Lombok - vulcão Rinjani - dia 2 (6)

 

QUANTO CUSTA

Não é barato não. O governo cobra uma taxa de 150 mil rúpias por dia (por pessoa – uns 14 dólares) – ou seja, ao fazer o trekking de 3 dias você automaticamente já precisa desembolsar 450 mil rúpias, uns 40 doletas.

Além disso, você precisa pagar o guia e os carregadores (a não ser que você aguente carregar tuas coisas, a barraca, o saco de dormir e mais a comida para os três dias…). O mais comum é contratar uma agência, que já inclui tudo – eles carregam as coisas, preparam os rangos, montam e desmontam as barracas, emprestam lanterna, te guiam pela trilha, te dão água e ainda fazem o transfer até o começo do trekking, e também após o final.

Fechei o trekking ao chegar em Lombok, na cidade do porto mesmo (Bangsal). O pacote incluiu tudo isso aí acima, com transfer de Bangsal até Senaru, mais a noite no hotel em Senaru (incluída no pacote), e transfer de Sembalu/Senaru até Gili Island no final (barco incluído também).

O valor varia muuuuuito, dependendo de onde você fecha e da negociação, claro. Paguei 1.300.000,00 pelo pacotão de 3 dias (uns 120 dólares, 40 por dia, incluindo as taxas do governo) – fechei com a RLT- Rinjani Lombok Trekking. Conheci gente que conseguiu por menos em Sengigi (1.100.00,00) e outros que pagaram mais em Senaru (1.600.000,00) – aparentemente em Sengigi tem mais opções de agência, então você consegue o melhor preço. No meu caso, como ainda teria que pagar a passagem do porto até Sengigi, mais hospedagem por lá, no fim das contas ficou elas por elas. É caro, mas você não gasta nada além disso nesses dias, e faz um trekking sensacional.

Ah, e tem as agências que oferecem uma opção mais “luxuosa” de trilha, com colchões em vez de saco de dormir, cadeiras pra descansar pelo caminho, sucos de frutas e comidas diferentes. Pelo que escutei esse tipo de trekking sai uns 250 ou 300 doletas, o dobro do normal! Aí vai do gosto do freguês, né, mas mochileiro que é mochileiro não vai nessa não!

 

ONDE FECHAR O TREKKING

Dá pra fechar esse passeio em tudo que é lugar na Indonésia, principalmente em Lombok. Se estiver nas Gili Islands (que fazem parte de Lombok) dá pra fazer, assim como ao chegar ao porto em Lombok (Bansal). Acho que Sengigi é a cidade que mais oferece agências fazendo o trekking, e é onde aparentemente você consegue o melhor preço (fica em Lombok também). Ainda dá pra fechar direto em Senaru, que é onde começa o trekking (conheci algumas pessoas que fecharam por lá, mas não pagaram tão barato).

 

QUANDO IR

A estação de chuvas na Indonésia vai de novembro a março (ou começo de abril). Acho que nessa época as agências nem fazem o trekking, porque tem trechos que são perigosos se estiver muito escorregadio. A melhor época pra ir é a partir do final de abril, ou começo de maio, até outubro, quando é a estação seca (alta temporada na Indonésia).

 

O QUE LEVAR

– Tênis de trekking: se você leu a história sobre como é o trekking nesse outro post aqui, nem preciso explicar porque! Ah, e de preferência, aqueles impermeáveis, caso chova.

– Roupas de frio: idem! Faz uma friaca à noite, por volta de 5 graus, e o saco de dormir que eles fornecem não é grosso o suficiente! E no terceiro dia você precisa de mais roupas, porque começa a caminhar de madruga, é congelante! É bom ter um jaquetão (corta-vento, se possível) e luvas.

– Muda de roupas pra 3 dias: ou seja, 3 ou 4 camisetas, um shorts, uma calça (pra dormir, pq faz frio, ou pra fazer o trekking, se preferir), 3 calcinhas/cuecas, 3 pares de meias, e as coisas de frio listadas aí em cima.

– Poncho ou capa de chuva: é comum chover durante a trilha – o poncho protege também a mochila, é uma boa opção. A agência que contratei emprestou os ponchos para usar durante a trilha.

– Roupa de banho: pra poder nadar no lago e nas águas termais

– Toalha ou canga: não dá pra tomar banho durante a trilha, mas tem o banho no lago no segundo dia, é bom ter alguma coisa pra se secar.

– Sachê de shampoo e sabonetinho de hotel: pra poder dar um trato no segundo dia, no lago ou na cachu! E leve os pequeninhos, pra não carregar peso à toa!

– Chinelo: pra dar aquele relax ao chegar aos acampamentos!

– Lanterna: a agência pode emprestar também, mas a lanterna que me emprestaram era mega fraca, mal iluminava o caminho… Uma boa opção é a lanterna de cabeça, que deixa tua mão livre durante a caminhada.

– Cajado: é uma boa opção pra aliviar o peso que você joga no joelho, principalmente durante as descidas (pra mim, que tenho dor no joelho sempre que desço morros, é fundamental)! Não precisa comprar, dá pra usar um galho durante o caminho.

– Bateria reserva pra câmera: não tem eletricidade em lugar nenhum durante os três dias, então sempre é bom ter mais uma bateria, pra não ficar na mão na hora de tirar aquela foto!

– Kit de remedinhos: band-aid (é super normal fazer bolhas nos pés durante a caminhada), remédio pra dor de cabeça (você chega a 3.700m, a essa altitude muita gente tem dor de cabeça), relaxante muscular, antialérgico, repelente.

OBS: você leva só uma mochila pequena para a trilha (e evite levar peso demais, né!) e deixa a tua grandona no hotel de Senaru. Ao terminar a trilha a agência te leva de volta até Senaru pra pegar a mochilona, e depois te deixa no destino que você escolher (desde que seja ali por perto, claro).

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Essa foi a cidade número 33 da Expedição Caracol – Volta ao Mundo, que vai até nov/14.

Doida Budapeste

(Coluna sobre a Volta ao Mundo – Expedição Caracol publicada nos jornais Tribuna do Paraná e Paraná Online em 15/10/14 – semana 47).

Budapeste (5)Budapeste. Eu poderia estar aqui contando a história da capital da Hungria, falando sobre como o rio Danúbio divide a cidade claramente em dois lados, Buda e Peste, ou sobre como ela já foi ocupada pelos austríacos, pelos alemães e depois pela União Soviética. Ou sobre quão linda ela é, com todas as suas construções antigas pelas ruas, e com seus famosos banhos termais. Mas a história que tenho pra contar é um pouco fora dos padrões…

Lembra que na semana passada comentei que o quê torna um lugar especial não são os cenários, mas sim as experiências que você tem nele? Pois é, experiências doidas foi o que mais tive em Budapeste!

Budapeste (1)

Minha host do CS e as amigas, show!

A cidade é super conhecida pela vida noturna, e já de cara fui parar no meio de uma festa eletrônica mucho loka de psy trance, com a minha amiga húngara do Couchsurfing. A festa tava cheia de gente doida, e acabei voltando pra casa até com a cara pintada de amarelo, e nem lembro direito por que… Sem falar que na ida fomos barradas em um ônibus porque estávamos com uma garrafa na mão, pode?

Na noite seguinte foi a vez de uma festa de dança cigana (super eclético, né)! A música era animadíssima, a galera assistia ao show em pé, dançando, e claro que não deixei por menos: fiquei descalça e me acabei de dançar imitando os passos desse ritmo mega acelerado! Até uns passinhos de samba fiz no meio, no melhor estilo improvisado! Acho que tinha até uns húngaros tentando imitar o samba cigano!

BudapesteE até pegar ônibus era uma aventura: não tem ninguém cobrando a passagem, então dá pra dar o migué facinho e pegar o busão sem pagar – mas claro que de quando em quando aparecem os fiscais, e você pode dançar, né! Mas aproveitei que consigo passar por húngara por aqui (um monte de gente vem falar comigo em húngaro na rua, como seu eu fosse local!) e fiquei fazendo cara de paisagem, passando ilesa pela fiscalização.

Budapeste (4)A bebida típica da Hungria é a Palinka, que é um destilado a base de frutas – a bagaça é tão forte que o teor alcoólico pode chegar a 70%! Claro que experimentei várias Palinkas (não é todo dia que a gente visita a Hungria, né!), e até levei pra casa um souvenir “honestamente roubado” de um bar – um copinho especial pra tomar a dita.

E com uma bebida tão forte assim, é óbvio que não tem como não fazer fiasco… Em uma noite fui parar na casa de amigos da minha host pra um jantar, e tomei Palinka um pouquinho além da conta… Acabei indo dali pra um bar na garupa de uma bicicleta, imagina a cena! E a nega tava tão cansada do dia, e com tanto álcool na cabeça, que simplesmente me acomodei em um sofá do bar e apaguei! Quando dormi o bar tava bem vazio, e quando abri os olhos tava socado de gente! Que situação, hein… Mas pelo menos não babei! Rs… Minha primeira vez dormindo no meio de um bar!

BudapesteBarrada no busão. Ensinando ciganos a dançar uma mistura de dança cigana com samba. Dormindo no boteco. Indo pra balada na garupa da bike. Dançando psy trance com a cara pintada. É, acho que dá pra dizer que Budapeste foi uma das cidades da trip com mais primeiras vezes!

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Coluna sobre a Volta ao Mundo – Expedição Caracol publicada nos jornais Tribuna do Paraná e Paraná Online em 15/10/14 – semana 47

Trekking no vulcão Rinjani, passeio imperdível na Indonésia

Indonesia - Lombok - vulcão Rinjani - dia 2 (12)Imperdível mesmo, mas mega cansativo!! Tem que estar com pique e muito espírito de aventura! Mas a vista compensa todo o esforço! Vale a pena incluir esse trekking no teu roteiro se estiver planejando uma trip pra Indonésia. Olha esse outro post aqui contando as peripécias nesse trekking!

O vulcão Rinjani é o terceiro mais alto da Indonésia e fica em Lombok, uma ilha perto de Bali. O trekking pode ser feito em 2, 3 ou 4 dias. Dá pra começar tanto em Senaru e terminar em Sembalu, como fazer o contrário.

Indonesia - Lombok - vulcão Rinjani - dia 1No trekking de 2 dias você vai até o ponto de onde se tem a vista da cratera com o lago dentro (lugar sensacional!), dorme por lá, e volta pelo mesmo caminho no dia seguinte. O ruim é que em 2 dias não dá pra nadar no lago, nas águas termais, nem ir até o ponto mais alto do vulcão – por isso mesmo o trekking de 3 dias é mais popular entre os mochileiros. A versão de 4 dias passa pelos mesmos pontos da anterior, mas você caminha mais devagar – é melhor pra quem está meio fora de forma.

OBS: li um blog de um casal que fez a opção de 2 dias (ida até a cratera) em um dia só – o blog é ótimo, mas acho que você tem que estar bem preparado pra fazer tudo em um dia, é mega puxado! O post é esse aqui, no Erohisms.

Essa foi a cidade número 33 da Expedição Caracol – Volta ao Mundo, que vai até nov/14. Pra saber as dicas práticas sobre o trekking, como quanto custa, melhor época e o que levar, aguarde o próximo post!

 

 

COMO É O TREKKING: 1º DIA

Indonésia - Lombok - Vulcão Rinjani (3)A caminhada começa às 7h30 da manhã, e já é pauleira morro acima! Nesse dia você sobe 2.000 metros de altitude, então basicamente o que você faz durante todo o dia é subir! Grande parte do dia é dentro de uma floresta tropical, o suadouro é gigante, e a possibilidade de chuva é grande, mesmo na estação seca. Tem algumas pausas durante o caminho, além da pausa para almoço, mas na maior parte do tempo você só caminha mesmo. Cansa pacas!

A chegada no acampamento é por volta das 16h, e você acampa em um lugar com uma vista sensacional – a cratera do vulcão, com o lago lá no meio! É bem comum estar tudo nublado à tarde e não dar pra ver muita coisa, mas não se preocupe, de manhã a vista é de tirar o fôlego! Faz bastante frio à noite, mal consegui dormir de tão gelada que tava a barraca, mesmo dentro do saco de dormir…

 

COMO É O TREKKING: 2º DIA

No topo do vulcão Rinjani

No topo do vulcão Rinjani

Depois de uma noite mal dormida, nada como passar mais um dia caminhando, né! Rs… Mas esse dia é compensador, porque é quando você tem a vista linda da cratera do vulcão, e tira trocentas fotos daquele lago azulzinho dentro da cratera!

A caminhada começa às 7h30 de novo, mas boa parte desse dia é descida, bem tranquilo e animador, porque você sabe que logo, logo vai nadar naquele lago lindo! A sensação de nadar lá é indescritível, ainda mais depois de uma dia e meio suando, sem tomar banho!! E 15 minutos andando a partir dali, você chega numa cachu onde tem águas termais, com água a uns 40 graus! Muito massa ficar entrando na água gelada da cachu, e depois no quentinho das hot springs! O duro mesmo é sair dali pra continuar a caminhada… haha…

A parte difícil do dia é à tarde, quando é só subida – mas ao mesmo tempo nesse dia você sobe só 600m, praticamente ¼ do que você subiu no dia anterior, melzinho na chupeta! A chegada ao acampamento é lá por 16h30, em um lugar bem bonito, no alto do morro, show! E nesse dia, bora dormir mega cedo, às 18h30, porque no outro dia… Aff…

 

COMO É O TREKKING: 3º (E MAIS APAVORANTE!) DIA

Indonesia - Lombok - vulcão Rinjani - dia 3 (5)Acho que já deu pra sentir o drama, né? Nesse dia você começa a caminhar às 2h30 da madruga! Quem foi o infeliz que teve essa ideia? Rs… É nesse dia que você chega ao ponto mais alto da montanha, e objetivo de  começar nessa hora obscena é ver o sol nascer lá do alto.

Cara, perto desse dia os outros dois foram uma tarde de sol relaxando na praia… haha… Na verdade foram dois grandes problemas que fizeram minha caminhada ser tão sofrida nesse dia:

1) Eu tava simplesmente congelando (e já tava usando todas as roupas que tinha) – não sentia meus dedos das mãos (e nem tinha como por no bolso, porque tinha que segurar a lanterna e o cajado) e ficava tremendo como louca o tempo todo, das 2h até umas 8h da manhã pelo menos!

2) Tava usando um tênis mega ultra liso, nada parecido com um tênis de trekking – quando fechei com agência perguntei pro infeliz se era possível fazer com esse tênis, mas claro que pra vender ele falou que sim, que era até melhor do que um de trekking, que é mais pesado… E a tontona aqui acreditou!

O fato é que a subida até o ponto mais alto (até o summit) é praticamente um areião só. Quando você tenta subir, teu pé afunda e escorrega um monte pra trás, fazendo com que você se esforce muito mais do que normal numa subida. Maaaaas isso pode ser muito pior se você estiver usando um tênis super liso – enquanto todo mundo se esforça mas consegue subir, você fica ali, pisando e voltando pra trás, pisando e voltando de novo, caindo no chão que nem abacate maduro trocentas vezes… Olha, a sensação de não conseguir, de tentar, tentar, e não conseguir subir, vendo todo mundo me passando, foi uó… Desesperador, frustrante… Ainda mais quando teu grupo todo, inclusive teu guia, te abandonam a Deus dará e você fica ali, sofrendo sozinha, congelando e pensando que diabos eu to fazendo aqui! Aff!

Indonesia - Lombok - vulcão Rinjani - dia 3 (2)Depois de muito sofrimento, muuuuuita vontade de desistir, muitos palavrões xingando o guia que estava sei lá onde quando devia estar me ajudando, muitas tentativas de me esquentar do vento congelante no alto do morro, vi que o céu já tava clareando e que o sol ia nascer provavelmente dentro de meia hora. Ninguém merece nadar e morrer na beira da praia, né!! Achei força não sei de onde e consegui chegar ao topo! Morta, congelada, revoltada… haha… Mas cheguei! E o nascer do sol nem foi assim tão sensacional… rs…

 

Enfim, depois disso é só descida. Descidão de 1.000m do topo até o acampamento de volta, surfando nos areiões, e mais um descidão durante o resto do dia, até chegar em Sembalu. Haja joelho!

Resumindo:

– É cansativo? É, pacas!

– Vale a pena? Muito!

– Mas mesmo com o terceiro dia sendo tão difícil assim? Sim, vale! Quero muito fazer tudo de novo um dia, mas com as roupas e tênis adequados, pra evitar esse sofrimento à toa e poder passar quem ficar escorregando pelo caminho! =)

 

Em breve, um post só com as dicas práticas sobre o trekking – quanto custa, o que levar, onde fechar…

 

EXTRA – O QUE FAZER EM SENARU

Cachu lindona em Lombok

Cachu lindona em Lombok

Em Senaru, não deixe de conhecer as cachoeiras, tem duas lindonas por lá! A cidade é pequena, dá pra ir andando fácil do teu hotel, e a entrada custa 10 mil rúpias (quase 1 dólar). Dá pra conhecer sem guia, apesar de a segunda cachu ser um pouco mais difícil de encontrar.

Basicamente você desce toda a trilha/escadaria pra chegar na primeira, e volta por ela até o ponto que ela bifurca. Aí vai seguindo a “trilha” (caminho principal) até chegar ao rio – tira o tênis, cruza o rio, segue mais um pouco, cruza de novo, até chegar na segunda cachu, onde rola nadar!

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Essa foi a cidade número 33 da Expedição Caracol – Volta ao Mundo, que vai até nov/14.